quinta-feira, novembro 27, 2003
Caros compagnons de roûte.
Explosivamente as palavras do vosso súblime ANJO ISRAFEL, se erguem.
A consideração instintiva com a qual inicio a dissertação do dia de hoje, prende-se com a grandeza de sentimentos...acto continuo, falarei de Amor. De Amor explosivo e de redenção de penitência.
O imaginário tolhe-se de ternura... Sinto-me um querubim de longas asas, que constroi e destroi, o sentido das ambiguidades num longo vôo de desejo.
AMO ESSA MULHER...Quero perder as asas que me elevam, pela vontade de possuir um corpo corruptível que me albergue todo o sentido de amar da forma que amo, agora. Essa mulher... que me ensina o preceito do toque, que me torna essa explosão que não logro controlar. Essa torrente de imaginários e de placidez convulsa , que me traz sublimado. DIES IRAE. Adeus, displicência...até outra vida!
A tua carícia salvou-me de um tempo apócrifo onde a sombra me turvava o olhar...Incapaz de sentir a proximidade como uma dádiva, perdi-me numa esgrima de palavras, de pensamentos, de silêncios que me impeliam a uma estranha vertigem. O medo estabelece em nós, barreiras que julgamos serem intrasponíveis...feitas sordidamente à medida da nossa resignação. E surge, algo não mensurável, não quantificável que nos torna monstros de uma vontade reprimida... refens da vontade própria.
E eis que o barqueiro, não o velho andrajoso Caronte, mas o Barqueiro Branco do AMOR nos salva da queda e nos transpõe nessa barca onde sempre quisemos estar.
Sérgio Godinho A BARCA DOS AMANTES
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes
Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a Barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada
E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no céu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus, a cais errantes
Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia
E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes
Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia
E depois do adeus à solidão, fiz-me grande, pela grandeza de amar e ser esse alguém no olhar de outro alguém, e desejar o corpo, o beijo e o sonho que me traz a presença dela. Porque foi por ela que esquivei o desengano, foi por ela que me rendo ao passar dos dias... Foi por ela, que volto a olhar o firmamento e por ela, que me deito envolto em fantasia.
FOI POR ELA FAUSTO
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
E assim prescrutando na emoção da obra poética dos autores liricos em portugês, fecho este comentário de hoje sabendo que o mesmo vai inteiramente para a mulher de olhar violeta, que me traz assim tão tolhido de arrebato que quase me resulta díficil escrever, o que quer que seja... Para ti, doce... todo o amor que sei e que quero.(o teu...)
Viriato da Cruz, um poeta Angolano... NAMORO
Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macia
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
"por ti sofre o meu coração"
num canto "sim"
noutro canto "não"
e ela o canto do "não"
dobrou
Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Xica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba
Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário
Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
"Aí Benjamim"
Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
Explosivamente as palavras do vosso súblime ANJO ISRAFEL, se erguem.
A consideração instintiva com a qual inicio a dissertação do dia de hoje, prende-se com a grandeza de sentimentos...acto continuo, falarei de Amor. De Amor explosivo e de redenção de penitência.
O imaginário tolhe-se de ternura... Sinto-me um querubim de longas asas, que constroi e destroi, o sentido das ambiguidades num longo vôo de desejo.
AMO ESSA MULHER...Quero perder as asas que me elevam, pela vontade de possuir um corpo corruptível que me albergue todo o sentido de amar da forma que amo, agora. Essa mulher... que me ensina o preceito do toque, que me torna essa explosão que não logro controlar. Essa torrente de imaginários e de placidez convulsa , que me traz sublimado. DIES IRAE. Adeus, displicência...até outra vida!
A tua carícia salvou-me de um tempo apócrifo onde a sombra me turvava o olhar...Incapaz de sentir a proximidade como uma dádiva, perdi-me numa esgrima de palavras, de pensamentos, de silêncios que me impeliam a uma estranha vertigem. O medo estabelece em nós, barreiras que julgamos serem intrasponíveis...feitas sordidamente à medida da nossa resignação. E surge, algo não mensurável, não quantificável que nos torna monstros de uma vontade reprimida... refens da vontade própria.
E eis que o barqueiro, não o velho andrajoso Caronte, mas o Barqueiro Branco do AMOR nos salva da queda e nos transpõe nessa barca onde sempre quisemos estar.
Sérgio Godinho A BARCA DOS AMANTES
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes
Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a Barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada
E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no céu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus, a cais errantes
Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia
E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo
Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes
Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia
E depois do adeus à solidão, fiz-me grande, pela grandeza de amar e ser esse alguém no olhar de outro alguém, e desejar o corpo, o beijo e o sonho que me traz a presença dela. Porque foi por ela que esquivei o desengano, foi por ela que me rendo ao passar dos dias... Foi por ela, que volto a olhar o firmamento e por ela, que me deito envolto em fantasia.
FOI POR ELA FAUSTO
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
E assim prescrutando na emoção da obra poética dos autores liricos em portugês, fecho este comentário de hoje sabendo que o mesmo vai inteiramente para a mulher de olhar violeta, que me traz assim tão tolhido de arrebato que quase me resulta díficil escrever, o que quer que seja... Para ti, doce... todo o amor que sei e que quero.(o teu...)
Viriato da Cruz, um poeta Angolano... NAMORO
Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macia
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
"por ti sofre o meu coração"
num canto "sim"
noutro canto "não"
e ela o canto do "não"
dobrou
Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Xica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba
Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário
Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
"Aí Benjamim"
Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
terça-feira, novembro 18, 2003
Comentário - Tomaz. Faro 18 de Novembro de 2003
Desfile de vertigem... A loucura engarrafada com mais de 15 anos... Amor ao despaupério e à estroinice premeditada...
Le Bateau Ivrê... um barco bêbado. J.A. Rimbaud. Jurei ontem renegar os Simbólicos (como se todos não o fossemos, mentalmente...)
Oiço ao meu lado, uma estória ridícula sobre uma miúda que foi baptizada por um professor, com o nome de um mineral... Conto non sense.
Nos meus sonhos, habita um antigo desespero cheio de inconstância intemporal...incorporea...
Quem será capaz de esquivar a minha espiral de desejo que tudo arrasta e trucida à passagem?Sardonismo ao sentido útil do desespero... o Amor é a dádiva libertária do vazio apócrifo. Sucessão de imagens desconexas.
Rebusco Buckley filho, e o Whisky da mudança de humor... tradução literal.
Jeff Buckley - Moodswing Whiskey
Mood swing whiskey
Drank it all in the morning
Waiting for the dark to move in
Sitting in my step-sister's kitchen
Horseflies on the window sill
Eyes trained on the lemon king
And wishing it were a gun
I'm thinking of our wedding rings
Trapped inside the heater
Spring water on the floor of this
Sex starved room
The nightmare's fires burn
The waves of bliss
I tried to stop it with my hand
I was lost in the kiss
With you
Mood swing whiskey
Your bliss, the actress,
Bliss, the assassin
Bliss, the abyss
Did a crazy shot of whiskey
In about zero to sixty
All i could see was the beer
I face the future with a drink in my right
Eyes to the sparkling gloom
Body naked, afraid, and amazed
Say boost me up to your junkyard paradise
Boost me up to your junkyard paradise
With a sweet-ass photo of you
She cheated, and she lied, and you stole her
Stung my tongue just like
Sweat from her shoulder
Ooh, mood swing whiskey
Your love, the destroyer
Love, the destroyer
Love, love...
Yes mood swing whiskey has my brain
Only you can break this chain
Are you here in my bed again
Can you hear my love again
Run down the subway station babe
I'm packing my rod
All and present histories erased
I am a punishing god
Mood swing whiskey
Yeah the leaves are made of
Messy things again
And i said this is all the headless acrobats
Faces crushed in the circus dust
All for the law of gravity
And the price of admission
Beautiful loser warm hearts have let you down
Beautiful loser warm hearts have left you
Oh no, you...
I think of mankind in quotation marks
Ever since i took a drink from you
This is for all the headless acrobats
Faces crushed in the circus dust
All in the name of gravity
And the price of admission
Beautiful loser while eyes have let you now
Beautiful loser while eyes have let you now
Cause you're beautiful
I think of mankind in quotation marks
Ever since I took a drink of you
----------------------------------------------------------------------
Love, the destroyer.... Este poema é qualquer coisa muito perigosa. De manuseamento muito volátil. A minha medida. Lembro Évora, lembro demência, lembro abandono... Efemeridade...Onde ficou perdido o escolho-coração que albergou calor? Será a loucura uma forma de santificação? Prefiro entender a vida de uma forma estranhamente complexa. A linearidade é a valoração dos eventos dispersos. Quero saber o que existe para lá da memória!!! Quero saber se a Morte, vem com o fim da mémoria... Assim estou morto... Refém de um Succubus que me extrai a seiva do afecto para moldar a estátuaria do abandono.
Conheço todos os indigentes desta decrépita cidade... Conheço-me a mim próprio...
Este proema ou devaneio é de minha autoria... com requinte de displicência:
Elemens alfa Tomaz d´Orta
LOBO- Centro de Universo. Apenas devorado em última instância pelo instinto.
Refem da ancestral pulsão.
DESTINO- Amontoado de escolhos. Fruto da dispersão. Uma manta de retalhos. De vivências. O passado, silêncio.
O desejo dos outros atinge-me falaciosamente. O meu, morreu sem aviso.
EU (a lua). Tu (os meus raios).
Carrego no pêlo, o peso de mil anos e a memória do vento e da chuva que me serviam de casa. Que me albergavam sonhos e toque. Que me ensinavam os segredos do mundo que marcava a medo.
O ELEMENS ALFA vive para si e por si.
Entregue à vontade de possuir a solidão como dádiva. Como decrépito orgulho de transcender emoções.
EU (o vazio). TU (o silêncio).
VÍTIMAS- Caem como dias após noites. Todos o são, excepto o ALFA que se vitimou em nome de uma estranha nobreza. Sentir sobre si próprio. Sentir-se intangível.
Como uma sombra. Como uma miragem...
EU (o ALFA). TU (todos os outros).
-----------------------------------------------------------------
Creio que por hoje é tudo... muito desgaste, muito desejo, e terrível sevícia sobre mim próprio. Como sempre, ter sempre, a certeza de me sentir sólido para o poder partilhar convosco.
Termino com uma apologia ao AMOR VIOLENTO, o que redime, o que sublima... Amo-vos a todos. Tomaz
Adolfo Luxúria Canibal, um poeta portugês - Tu disseste
TU DISSESTE
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]
Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Desfile de vertigem... A loucura engarrafada com mais de 15 anos... Amor ao despaupério e à estroinice premeditada...
Le Bateau Ivrê... um barco bêbado. J.A. Rimbaud. Jurei ontem renegar os Simbólicos (como se todos não o fossemos, mentalmente...)
Oiço ao meu lado, uma estória ridícula sobre uma miúda que foi baptizada por um professor, com o nome de um mineral... Conto non sense.
Nos meus sonhos, habita um antigo desespero cheio de inconstância intemporal...incorporea...
Quem será capaz de esquivar a minha espiral de desejo que tudo arrasta e trucida à passagem?Sardonismo ao sentido útil do desespero... o Amor é a dádiva libertária do vazio apócrifo. Sucessão de imagens desconexas.
Rebusco Buckley filho, e o Whisky da mudança de humor... tradução literal.
Jeff Buckley - Moodswing Whiskey
Mood swing whiskey
Drank it all in the morning
Waiting for the dark to move in
Sitting in my step-sister's kitchen
Horseflies on the window sill
Eyes trained on the lemon king
And wishing it were a gun
I'm thinking of our wedding rings
Trapped inside the heater
Spring water on the floor of this
Sex starved room
The nightmare's fires burn
The waves of bliss
I tried to stop it with my hand
I was lost in the kiss
With you
Mood swing whiskey
Your bliss, the actress,
Bliss, the assassin
Bliss, the abyss
Did a crazy shot of whiskey
In about zero to sixty
All i could see was the beer
I face the future with a drink in my right
Eyes to the sparkling gloom
Body naked, afraid, and amazed
Say boost me up to your junkyard paradise
Boost me up to your junkyard paradise
With a sweet-ass photo of you
She cheated, and she lied, and you stole her
Stung my tongue just like
Sweat from her shoulder
Ooh, mood swing whiskey
Your love, the destroyer
Love, the destroyer
Love, love...
Yes mood swing whiskey has my brain
Only you can break this chain
Are you here in my bed again
Can you hear my love again
Run down the subway station babe
I'm packing my rod
All and present histories erased
I am a punishing god
Mood swing whiskey
Yeah the leaves are made of
Messy things again
And i said this is all the headless acrobats
Faces crushed in the circus dust
All for the law of gravity
And the price of admission
Beautiful loser warm hearts have let you down
Beautiful loser warm hearts have left you
Oh no, you...
I think of mankind in quotation marks
Ever since i took a drink from you
This is for all the headless acrobats
Faces crushed in the circus dust
All in the name of gravity
And the price of admission
Beautiful loser while eyes have let you now
Beautiful loser while eyes have let you now
Cause you're beautiful
I think of mankind in quotation marks
Ever since I took a drink of you
----------------------------------------------------------------------
Love, the destroyer.... Este poema é qualquer coisa muito perigosa. De manuseamento muito volátil. A minha medida. Lembro Évora, lembro demência, lembro abandono... Efemeridade...Onde ficou perdido o escolho-coração que albergou calor? Será a loucura uma forma de santificação? Prefiro entender a vida de uma forma estranhamente complexa. A linearidade é a valoração dos eventos dispersos. Quero saber o que existe para lá da memória!!! Quero saber se a Morte, vem com o fim da mémoria... Assim estou morto... Refém de um Succubus que me extrai a seiva do afecto para moldar a estátuaria do abandono.
Conheço todos os indigentes desta decrépita cidade... Conheço-me a mim próprio...
Este proema ou devaneio é de minha autoria... com requinte de displicência:
Elemens alfa Tomaz d´Orta
LOBO- Centro de Universo. Apenas devorado em última instância pelo instinto.
Refem da ancestral pulsão.
DESTINO- Amontoado de escolhos. Fruto da dispersão. Uma manta de retalhos. De vivências. O passado, silêncio.
O desejo dos outros atinge-me falaciosamente. O meu, morreu sem aviso.
EU (a lua). Tu (os meus raios).
Carrego no pêlo, o peso de mil anos e a memória do vento e da chuva que me serviam de casa. Que me albergavam sonhos e toque. Que me ensinavam os segredos do mundo que marcava a medo.
O ELEMENS ALFA vive para si e por si.
Entregue à vontade de possuir a solidão como dádiva. Como decrépito orgulho de transcender emoções.
EU (o vazio). TU (o silêncio).
VÍTIMAS- Caem como dias após noites. Todos o são, excepto o ALFA que se vitimou em nome de uma estranha nobreza. Sentir sobre si próprio. Sentir-se intangível.
Como uma sombra. Como uma miragem...
EU (o ALFA). TU (todos os outros).
-----------------------------------------------------------------
Creio que por hoje é tudo... muito desgaste, muito desejo, e terrível sevícia sobre mim próprio. Como sempre, ter sempre, a certeza de me sentir sólido para o poder partilhar convosco.
Termino com uma apologia ao AMOR VIOLENTO, o que redime, o que sublima... Amo-vos a todos. Tomaz
Adolfo Luxúria Canibal, um poeta portugês - Tu disseste
TU DISSESTE
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]
Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
quinta-feira, novembro 13, 2003
DEIXO-VOS O MEU ENDEREÇO DE E-MAIL PARA PODER RECEBER O VOSSO FEED BACK:
Ebn_al_Zaqqaq@hotmail.com ao cuidado do menino João Tomazinho.
Um abraço a todos.
Ebn_al_Zaqqaq@hotmail.com ao cuidado do menino João Tomazinho.
Um abraço a todos.
O quereres CAETENO VELOSO
Onde queres revólver sou coqueiro
E onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo
E onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto eu sou o chão
E onde pisas o chão minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão
E onde queres cowboy eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou espírito
E onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo
E onde buscas o anjo sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido sou herói
Eu queria querer-te e amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n'roll
Onde quers a lua eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo-te aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
A Bruta flor do querer... Hoje, começo a minha dissertação com um dos mais magníficos poemas que a MPB já produziu. Creio eu, que este sentido do querer e da ambiguidade do mesmo o torna, um sentimento e objecto poético de valor inestimável. Caetano, esgrime-o com a perfeita noção de equilibrio... EU! EU QUERO(!!!!) A MÙSICA DAS ESFERAS...Ser possuidor de um corpo humano que me albergue todo o AMOR que consiga reter.
Uma estranha CLEPSYDRA trazida pelo velho barqueiro Caronte saiu do fundo do Lethes, e pediu um beijo...uma oportunidade de lhe dar afecto... um ANJO em queda( Eu!). Matei-a quando a possuí. Do seu corpo, fiz Etér...da sua lembrança fiz um altar e venerei-o com um brinde de sangue e seiva. A flor do absinto, ensinou-me bem mais que a bruta flor do querer.
Camillo Pessanha, regressa para me ensinar o preceito da QUEDA. ( Amo os Românticos, mais que a própria vida...)
Queda-CAMILLO PESSANHA
(A João P. Vasco)
O meu coração desce,
Um balão apagado.
Melhor fora que ardesse
Nas trevas incendiado.
Na bruma fastidienta...
Como á cova um caixão.
Porque antes não rebenta
Rubro, n'uma explosão?
Que apego ainda o sustem?
Atono, miserando.
Que o esmagasse o trem
De um comboio arquejando.
O inane, vil despojo.
Ó alma egoísta e fraca...
Trouxesse-o o mar de rojo.
Levasse-o na ressaca
Onde queres revólver sou coqueiro
E onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo
E onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto eu sou o chão
E onde pisas o chão minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão
E onde queres cowboy eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou espírito
E onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo
E onde buscas o anjo sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido sou herói
Eu queria querer-te e amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n'roll
Onde quers a lua eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo-te aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
A Bruta flor do querer... Hoje, começo a minha dissertação com um dos mais magníficos poemas que a MPB já produziu. Creio eu, que este sentido do querer e da ambiguidade do mesmo o torna, um sentimento e objecto poético de valor inestimável. Caetano, esgrime-o com a perfeita noção de equilibrio... EU! EU QUERO(!!!!) A MÙSICA DAS ESFERAS...Ser possuidor de um corpo humano que me albergue todo o AMOR que consiga reter.
Uma estranha CLEPSYDRA trazida pelo velho barqueiro Caronte saiu do fundo do Lethes, e pediu um beijo...uma oportunidade de lhe dar afecto... um ANJO em queda( Eu!). Matei-a quando a possuí. Do seu corpo, fiz Etér...da sua lembrança fiz um altar e venerei-o com um brinde de sangue e seiva. A flor do absinto, ensinou-me bem mais que a bruta flor do querer.
Camillo Pessanha, regressa para me ensinar o preceito da QUEDA. ( Amo os Românticos, mais que a própria vida...)
Queda-CAMILLO PESSANHA
(A João P. Vasco)
O meu coração desce,
Um balão apagado.
Melhor fora que ardesse
Nas trevas incendiado.
Na bruma fastidienta...
Como á cova um caixão.
Porque antes não rebenta
Rubro, n'uma explosão?
Que apego ainda o sustem?
Atono, miserando.
Que o esmagasse o trem
De um comboio arquejando.
O inane, vil despojo.
Ó alma egoísta e fraca...
Trouxesse-o o mar de rojo.
Levasse-o na ressaca
quarta-feira, novembro 12, 2003
Deixo-vos hoje também e nesta adenda, referências para a obra da pintora deco Tamara de Lempicka...As suas figuras femininas envoltas de uma languidez poética que me faz desejar conheçer o amago de certos olhares que me transcendem.
Um abraço a todos e voltarei brevemente com alguns poemas do meu espólio que espero que gostem. João Tomaz
TAMARA DE LEMPICKA - O SONO DA JOVEM MULHER
http://cgfa.sunsite.dk/lempicka/p-lempic13.htm
Um abraço a todos e voltarei brevemente com alguns poemas do meu espólio que espero que gostem. João Tomaz
TAMARA DE LEMPICKA - O SONO DA JOVEM MULHER
http://cgfa.sunsite.dk/lempicka/p-lempic13.htm
Jo‹o Tomaz. FARO, 12 de Novembro de 2003.
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das m‹os espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez se o pressentimento
E do momento imóvel fez se o drama.
De repente não mais que de repente
Fez-se do triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente.
Vinicius de Moraes... Lirismo de desencanto, ou sensibilidade explosiva de abandono?
Viva à displicência ancestral!!! A felicidade compra-se numa loja de conveniência, quando a esquivamos por requinte ao longo da espuma dos dias.
Diário de bordo: Tertúlia da cidade velha de Faro...Bons amigos comemoram uma data assinalável.
Feliz São Martinho a todos!!! O vinho levou-nos a considerações metafísicas...apologia báquica. Explodimos pela voz própria, em palavras de Ilustres convidados. Encontrei-os na rua, em vago deambular-Jean-Arthur Rimbaud, António Ramos Rosa e como não, Herberto Helder, comovido com as revisitações a Michaux, Mallarmé e Artaud (refens da vontade de rebentar com a lucidez reminiscente).
NHAKATACK- Boa, Nhaka!!! Palavras usadas com lógica subversisva. Clarividência e um prosaismo requintado!!!
A Semiologia segundo TARZAN TABORDA (esse guru de uma fina contra-cultura!!!), ou a compreensão do conceito de Cultura Animal. Distante alteridade...todos somos humanos e o afecto que demonstramos assume estranhas formas.
A pequena princesa da ervilha continua a encantar-me...o AMOR é um estado visionário lisergico. Uma estranha visão que se corporiza. O toque leva-me ao céu da memória sépia. Todos procuramos esse "amigo(a)"...De novo Vinicius de Moraes:
Procura-se um Amigo- Vinicius de Moraes
N‹o precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perde-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
SUBLIMIS SCRIPTORUM...todos os afectos devem ser assim, na sua forma etérea. Já me esqueci do longo cabelo negro da medusa, que se enroscou em mim e me pediu um milhão de formas de silêncio, em nome de um estranho amor...Quase esqueço as palavras e o seu sentido útil, perenemente. O que será que nos leva à grandeza e à miséria humana? O que será? O que será??
Chico Buarque de Holanda
--------------------------------------------------------------------------------
O que será
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das m‹os espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez se o pressentimento
E do momento imóvel fez se o drama.
De repente não mais que de repente
Fez-se do triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente.
Vinicius de Moraes... Lirismo de desencanto, ou sensibilidade explosiva de abandono?
Viva à displicência ancestral!!! A felicidade compra-se numa loja de conveniência, quando a esquivamos por requinte ao longo da espuma dos dias.
Diário de bordo: Tertúlia da cidade velha de Faro...Bons amigos comemoram uma data assinalável.
Feliz São Martinho a todos!!! O vinho levou-nos a considerações metafísicas...apologia báquica. Explodimos pela voz própria, em palavras de Ilustres convidados. Encontrei-os na rua, em vago deambular-Jean-Arthur Rimbaud, António Ramos Rosa e como não, Herberto Helder, comovido com as revisitações a Michaux, Mallarmé e Artaud (refens da vontade de rebentar com a lucidez reminiscente).
NHAKATACK- Boa, Nhaka!!! Palavras usadas com lógica subversisva. Clarividência e um prosaismo requintado!!!
A Semiologia segundo TARZAN TABORDA (esse guru de uma fina contra-cultura!!!), ou a compreensão do conceito de Cultura Animal. Distante alteridade...todos somos humanos e o afecto que demonstramos assume estranhas formas.
A pequena princesa da ervilha continua a encantar-me...o AMOR é um estado visionário lisergico. Uma estranha visão que se corporiza. O toque leva-me ao céu da memória sépia. Todos procuramos esse "amigo(a)"...De novo Vinicius de Moraes:
Procura-se um Amigo- Vinicius de Moraes
N‹o precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perde-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
SUBLIMIS SCRIPTORUM...todos os afectos devem ser assim, na sua forma etérea. Já me esqueci do longo cabelo negro da medusa, que se enroscou em mim e me pediu um milhão de formas de silêncio, em nome de um estranho amor...Quase esqueço as palavras e o seu sentido útil, perenemente. O que será que nos leva à grandeza e à miséria humana? O que será? O que será??
Chico Buarque de Holanda
--------------------------------------------------------------------------------
O que será
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho
O que será que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo