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sexta-feira, dezembro 26, 2003

Nenhum canta tão maravilhosamente bem como o anjo Israfel.
E as desatinadas estrelas (ou assim nos dizem as lendas) calam seus hinos, sucumbem ao feitiço de sua voz e emudecem.in Corão






Encontro ( o Amor que tudo vence...)Dedicado ao meu doce olhar violeta que tanto amo





O Amor em Paz Vinícius de Moraes


Eu amei
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz




No olhar, a sombra morreu. Destruída pela força da luz fulgente, que traz em seu brilho, o laivo de plenitude que os dias me brindam. A tua luz torna-se a luz da minha ternura. E sinto forte a tua presença, que trilha no silêncio e nas palavras o sonho que procurei. Aquele que desejei possuír, para entregar...para entregar-me a ti desta tão bela forma. Assim exorto os anjos do desejo, que qual querubins da vontade alongam suas belas asas e cantam a canção etérea que me traz o teu toque, que te traz a mim. Como em silêncio me enterneço até ao fundo de tudo o que há em mim, pela forma do teu toque em meu rosto. A calidez do abraço que trocamos e nunca se dissolve. Um beijo...tudo...o teu beijo.
Se em meu proveito faz qualquer partido, só; na vista duns olhos tão serenos, que quero eu mais ganhar que ser perdido?...perdido em ti...no teu doce olhar e no limite do corpo que perco para ganhar, o teu próprio limite. Quando me sinto fundir em ti e sentir que passámos a ser tão maiores e tão mais intensos, que os nossos pequenos vazios. Os mesmos que trocámos pelo nosso amor...És e serás a minha amiga, amante e companheira...A luz da minha luz, e as lágrimas e o sorriso que trago por te querer assim. Estás sempre comigo. Amo-te, doce.

João Tomaz

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Nenhum canta tão maravilhosamente bem como o anjo Israfel.
E as desatinadas estrelas (ou assim nos dizem as lendas) calam seus hinos, sucumbem ao feitiço de sua voz e emudecem
.in Corão






Encontro ( o Amor que tudo vence...)Dedicado ao meu doce olhar violeta que tanto amo





O Amor em Paz Vinícius de Moraes


Eu amei
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz




No olhar, a sombra morreu. Destruída pela força da luz fulgente, que traz em seu brilho, o laivo de plenitude que os dias me brindam. A tua luz torna-se a luz da minha ternura. E sinto forte a tua presença, que trilha no silêncio e nas palavras o sonho que procurei. Aquele que desejei possuír, para entregar...para entregar-me a ti desta tão bela forma. Assim exorto os anjos do desejo, que qual querubins da vontade alongam suas belas asas e cantam a canção etérea que me traz o teu toque, que te traz a mim. Como em silêncio me enterneço até ao fundo de tudo o que há em mim, pela forma do teu toque em meu rosto. A calidez do abraço que trocamos e nunca se dissolve. Um beijo...tudo...o teu beijo.
Se em meu proveito faz qualquer partido, só; na vista duns olhos tão serenos, que quero eu mais ganhar que ser perdido?...perdido em ti...no teu doce olhar e no limite do corpo que perco para ganhar, o teu próprio limite. Quando me sinto fundir em ti e sentir que passámos a ser tão maiores e tão mais intensos, que os nossos pequenos vazios. Os mesmos que trocámos pelo nosso amor...És e serás a minha amiga, amante e companheira...A luz da minha luz, e as lágrimas e o sorriso que trago por te querer assim. Estás sempre comigo. Amo-te, doce.

João Tomaz








quarta-feira, dezembro 24, 2003

PARA LEREM AS NOVAS CRÓNICAS DEVERÃO CLICAR NOS ARCHIVES 12/01/2003-12/31/2003.
Bom Natal e boas leituras. Tomaz
O Anjo Israfel aceita feed back:

Ebn_al_zaqqaq@hotmail.com

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Viagem ao interior da Ternura...ou, a Crónica da Cidade Quente sombria pela ausência do Anjo de olhar violeta.



Una cáncion para la Magdalena Joaquin Sabina/Pablo Milanes


Si, a media noche, por la carretera
que te conté,
detrás de una gasolinera
donde llené,
te hacen un guiño unas bombillas
azules, rojas y amarillas,
pórtate bien y frena.
Y, si la Magdalena
pide un trago,
tú la invitas a cien
que yo los pago.

Acércate a su puerta y llama
si te mueres de sed,
si ya no juegas a las damas
ni con tu mujer.
Sólo te pido que me escribas,
contándome si sigue viva
la virgen del pecado,
la novia de la flor de la saliva,
el sexo con amor de los casados.

Dueña de un corazón,
tan cinco estrellas,
que, hasta el hijo de un Dios,
una vez que la vio,
se fue con ella.
Y nunca le cobró
la Magdalena.

Si estás más solo que la luna,
déjate convencer,
brindando a mi salud, con una
que yo me sé.
Y, cuando suban las bebidas,
el doble de lo que te pida
dale por sus favores,
que, en casa de María de Magdala,
las malas compañías son las mejores.

Si llevas grasa en la guantera
o un alma que perder,
aparca, junto a sus caderas
de leche y miel.
Entre dos curvas redentoras
la más prohibida de las frutas
te espera hasta la aurora,
la más señora de todas las putas,
la más puta de todas las señoras.

Con ese corazón,
tan cinco estrellas,
que, hasta el hijo de un Dios,
una vez que la vio,
se fue con ella,
Y nunca le cobró
la Magdalena.



quinta-feira, dezembro 18, 2003

Ensaio sobre as Latitudes do Cavalo e outros proselitismos.







Actuação Escrita Pedro Oom



Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever



Dedicado ao meu amigo e poeta Jota (ponto) Bentes (ponto)


Pedro Oom, ou o dote de escrever sem a escrita...sem a ideia...sem a palavra.
A reflexão de hoje reporta-me ao fenómeno da CIRCULARIDADE. Na escrita e fora dela... Serão as palavras, espelhos mentais de ideias convulsas inconclusivas? A escrita pode ser circular... a leitura, circular... o acto de respirar, circular...
A apreciação formal da poesia é um exercício puramente Naif. Não existe critério criativo que deva ser questionado...avaliado...Quem é o criador e detentor da Bíblia Formal da Poesia??? Acerca do preceito estético-formal, a descrição da Intempérie é plausível, consistente...sentimentalmente vivida e vivencial.
Um acesso revisited em nome de uma explosiva sensibilidade. Só esse critério é válido...Só esse sentimento sublima o poder da palavra.
Em Poesia...tentar compreender e definir a literalidade da palavra, é uma crueldade semelhante a afirmar, tachativamente, que um Stradivarius é um bocado de madeira com cordas. Há mil e uma maneiras diferentes de ouvirmos a música das palavras dos outros. Fortune depends on the tone of your voice


terça-feira, dezembro 16, 2003

Considerações sobre a Metanoia (ou os preceitos da Revelação, em alguns fascículos ilustrados)



LIRISMO 1º - A VERDADE DA MENTIRA.



Mastigo-vos, pútridos profetas da Virtualidade Real. Amaldiçoo-vos, portadores da mensagem conspurcada. Quem julgam imbecilizar, vocês, com a vossa podre Propaganda?
Reflexão Orwelliana - 1984. O grande inimigo é inventado pelo sistema que controla, constrange e aniquila. A ameaça torna o totalitarismo, legítimo... A ameaça é uma ficção...uma não realidade...em suma, UM MECANISMO DE CONTROLO!!! Urdidura do grande irmão, sem pejo em usar as proverbiais palavras: "Paz,Conforto e Prosperidade"...TRUST IN THE BIG BROTHER.

Acho que todos se percatam, que a HISTÓRIA se passou a escrever num sentido restrito e globalizado...Unitarismo...Fim da Consciência Crítica...Fim da História como confronto sádio de perspectivas...Fim da Memória Humana...FIM.




LIRISMO 2º - A VENERAÇÃO DOS ICONES



Timothy Leary, guru lisérgico da contra-cultura psicadélica de San Francisco.
Psiquiatra de mérito, adentrou-se no sentido filosófico abrangente, da natureza transcendente dos fungos Psilocíbicos. Psyllocibinae cubensis- Ignição para a alternatividade. Conjuga-se a necessidade de despir estigmas, de desconstruir a percepção para reinventar o espaço vital. Uma nova forma de dimensionar a realidade. Extirpa a percepção pré-determinada e serás um Deus...transcendente e magnânimo
da tua própria Verdade...da tua verdadeira Existência.
Quem estabeleceu os modelos de comportamento humano? Que mecanismos comportamentais são afectados pela conivência à estabilidade do modelo, dito, aceite...à prevalecença do status castrador da Verdade Intíma?


Os fungos são uma dádiva...os Cogumelos, seres Saprófitas*.

*-Os fungos não precisam parasitar o homem para sobreviverem, apenas poucas espécies atacam eventualmente o organismo humano causando, em geral, micoses, intoxicações ou envenenamentos in Dicionário de termos médicos e saúde, de Luís Rey.




LIRISMO 3º - CARTA ABERTA AO AMIGO IMPACIENTE(ou ainda, as mil formas de esquivar o lento morrer dos dias sobre a Floresta de Verdes Sombras .

dedicado ao meu amigo M.N.(Nota:que não significa Movimento Nacional, ou coisa que o valha.)

- Poema -


Não dormi com a beleza toda a vida - Lawrence Ferlinghetti




Não dormi com a beleza toda a vida
fazendo inconfidências a mim próprio
dos seus encantos planturosos

Não, não dormi com a beleza toda a vida
mas com ela menti
fazendo confidências a mim próprio
de como ela nunca morre
mas jaz à parte
no meio dos aborígenes
da arte
e paira por cima dos campos de batalha
do amor

Está acima de tudo isso
muito acima
Está sentada no mais selecto dos assentos
da Igreja
lá em cima onde os administradores da arte marcam encontros
para escolherem o que há-de ficar para a eternidade
Eles, sim, dormiram com a beleza
durante toda a vida
Eles, sim, alimentaram-se da ambrósia
e beberam o vinho do Paraíso
e por isso sabem exactamente como é que
uma coisa bela é uma alegria
para sempre e para sempre
e como é que ela nunca nunca
pode inteiramente desvanecer-se
num nada que leve à bancarrota

Oh não, nunca dormi
em Regaços de Beleza como esses
receando levantar-me de noite
com medo de perder nesses segundos
qualquer belo movimento que ela esboçasse
E contudo dormi com a beleza
à minha estranha maneira
e fiz uma ou duas cenas terríveis
com a beleza na minha cama
de onde transbordou um poema ou dois
de onde transbordou um poema ou dois
para este mundo tão parecido com o de Bosch





Para o meu amigo... Escolhi Ferlinghetti num sentido metafórico... E em considerações deparo-me a tentar explicar-te de forma subliminar o sentido desta "Beleza", que é em si, o âmago da vida e o sal e pimenta da mesma. A necessidade da vivência e da intensidade, muitas vezes, não possui limites pláusiveis, aceitáveis. Ninguém, sem excepção, pode ser detentor da Verdade absoluta de suas próprias Emoções...que, em nós e por nós, encontram na transitoriedade a força para se revelarem. Encontram na sua ambiguidade, o sentido linear e a sua plausibilidade.
Meu caro amigo, nunca esqueças que quem dorme dessa estranha maneira própria com a "beleza" e faz com "ela" duas ou três cenas terriveis, fá-las porque a "beleza" é a luz mais intensa na alma de um homem. Essa "beleza", meu querido amigo, é a luz da grandeza das Emoções que debitamos, sem esperar contrapartidas...sem ansiarmos pela extinção das mesmas...sem exigir reciprocidade. A voz da nossa entrega é o mais súblime acto de Verdade, em relação a nós próprios. E quando tudo damos...a mais não somos obrigados. LAVOISIER dixit " Nada se cria, nada se perde...tudo se transforma"
O meu maior abraço para ti e lembra-te que tu és o Sol mais radiante da tua própria vida.
Sempre presente.
Tom.




LIRISMO 4º - SOBRE OS LIRISMOS SEMANAIS E OUTRAS EMANAÇÕES




Como habitualmente, rasguemos páginas, rasguemos Poesia, para nos sentirmos perto da Eternidade.
Esta semana iniciarei a rúbrica com algo de minha autoria...Fala de Cidades (De Civitates) e fala sobre, a caminhada do Homem pelas ruas interiores de sua Cidade:



A Cidade Quente - Tomaz d´Orta

Nov.2002



A cidade quente fecha os seus neons
Desata-se o desejo, na solidão obscena.
No alto do palácio do rei Midas, o toque
que tudo transforma em ouro, conserva-se prisioneiro.
A vontade do toque é tirânica...e o céu abate-se sobre a longa inércia dos Homens.
Dias...Noites...Dias. Retorno ao invisível vínculo da subjugação.
O céu traduz uma escala de Universo. A imensidão intemporal que envolve os limites restritos.
A cidade quente traz a falta de memória. Reminiscente, a bem da sobrevivência útil e menos dolorosa.
A cidade quente tem um mar distante, igual ao mar dos navios que se avistam sem se aproximarem. Um mar de elos perdidos, ou por perder... À distância do olhar.
A cidade quente tem símbolos. Iconografias de sentido e sua valoração.
A cidade quente tem vazios feitos de muita gente.
A cidade quente tem tem a solidão eo riso. Tem pássaros eventuais e dramas perenes.
A cidade quente tem frontões de edifícios grandes e casas pequenas.
A cidade quente tem cores e sombras.
A cidade quente tem frio e manhãs de Sol. Tem chuva que limpa e ar, que inerte, traduz Vida.
A cidade quente tem olhares e silêncios.
A cidade quente tem o amor plácido e idílios destroçados ao alcançe da mão.
A cidade quente é um lugar dentro de nós. Igual a nós...
A cidade quente demole-se e transforma-se impessoalmente.



Lembrei também o velho poeta embriagado que faz do limbo, a sua forma doce de mostrar desafio à vida que o consome... Vive no Tempo dos Assasinos... Jorge Palma.



Tempo dos Assassinos - Jorge Palma


Quero o silêncio do arco íris
Quero a alquímia das estações
Quero as vogais todas abertas
Quero ver partir os barcos
Prenhos de interrogações

Amo o teu riso prateado
Como se a lua fosse tua
Vou pendurar-me nos teus laços
Vou rasgar o teu vestido
Eu quero ver-te nua

Vivemos no tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Eu quero ver-te alucinado
Eu quero ver-te sem sentido
Sem passado e sem memória
Quero-te aqui no presente
Eternamente colorido

Porque abomino o trabalho
Se trabalhasse estava em greve
Se isto não te disser tudo
Arranja-me um momento mudo
O menos possível breve

Vivemos o tempo dos assassinos
Tempo de todos os hinos
Ouvimos dobrar os sinos
Quem mais jura
É quem mais mente

Vou arquitectar destinos
Sou praticamente demente.......

Amo o teu riso prateado
Como se o Sol só fosse teu
Vou pendurar-me no teu laço
Amachucar-te essa camisa
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu
Como se tu fosses eu



Na senda de profetas da decadência,e para ilustrar a vertigem e cantá-la poeticamente...Lou Reed... Serei o teu espelho...I´ll be your mirror.



I'll Be Your mirror

I'll be your mirror
Reflect what you are, in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you're home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I find it hard to believe you don't know
The beauty that you are
But if you don't let me be your eyes
A hand in your darkness, so you won't be afraid
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you
I'll be your mirror



Bem desta forma me despeço de todos vós esperando que o comentário de hoje vos tenha agradado e esperando que a mudança de visual seja benéfica a leitura. Um abraço Tomaz


Comentários: Ebn_al_zaqqaq@hotmail.com



terça-feira, dezembro 09, 2003

DE Profundis (o Ensaio sobre a extinção das Luzes)

Sonhei com as latitudes do Cavalo negro e esbelto que se adentrou nos trilhos da floresta sombria, comigo. O onirismo de carregar o corpo num estranho desejo...os passos em volta...e a sedução pelas formas ténues do sono. Que espécie de morte encerra o sono?

Deixei para trás qualquer instinto metafísico pela vertigem...Demonizam-me os Succubus e torno-me com requintes de prestidigitação, um Djin que procura o AMOR como ignição a um sentido primário...Arrebato ou silêncio. As palavras são estranhas formas de alma que congelam a memória.
O passado revisitou-me com intangível sobriedade... Procuramos caminhos sem conhecermos os nossos próprios passos, e sentimos que os fantasmas nos tornam mais fortes nos nossos sentimentos, nos nossos débitos e frémitos de imaginários que, muito embora ambiguos, se fazem do sentido de nada sentir... Proselitismo à doutrina da efemeridade. O Amor é o único sentido...desafiando altivo a tirania do Presente abrupto...do Passado desconexo. O Amor é um Deus violento que abate na sua ira, o preceito unívoco da vida. Nenhum indivíduo sobrevive sem ele...Nenhum universo se expande. Nenhuma quimera se fecha...
A morte bela chega, quando este se extingue - CAOS -.


Os augúrios da Pitonisa de Delfos nunca puderam revelar os segredos do Amor aos Homens...transcendente aos Deuses que por ela falavam. Os Deuses foram feitos à semelhança humana. Imperfeitos na sua razão...Débeis e vingativos, pela sua imperfeição...Desejando ser mortais como os Homens e procurando na efemeridade, a perfeição do Amor intemporal, incorpóreo e soberano. O AMOR DOS HOMENS TRANSCENDE OS DEUSES E SEUS DESÍGNIOS!

Revisito as canções de Amor, para me sentir mergulhar na doçura do dealbar das luzes... Revisito quem as escreve, para ofertar o Amor a quem o procura...Dão-se Loas ao Poeta.



Songs of Love - THE DIVINE COMEDY


Pale, pubescent beasts roam through the streets and coffee-shops
Their prey gather in herds of stiff knee-length skirts and white ankle-socks
But while they search for a mate my type hibernate in bedrooms above
Composing their songs of love
Young, uniform minds in uniform lines and uniform ties
Run round with trousers on fire and signs of desire they cannot disguise
While I try to find words as light as the birds that circle above
To put in my songs of love
Fate doesn't hang on a wrong or right choice
Fortune depends on the tone of your voice
So sing while you have time
Let the sun shine down from above
And fill you with songs of love
Fate doesn't hang on a wrong or right choice
Fortune depends on the tone of your voice
So let's sing while we still can
While the sun hangs high up above
Wonderful songs of love
Beautiful songs of love



A chuva transporta-me à imagem vindoura de uma Primavera...de destroços. O sóbrio Inverno molda as luzes ao seu recato plácido. A falta do corpo amante, traz-me a súblime insónia onde me enclausuro, réfem dos sons da chuva e das luzes dispersas que rasgam a treva.

A whiter shade of Pale...o reflexo da luz verde mortiça em teu corpo colocou-me à beira das lágrimas...Nunca pude mensurar mentalmente tão bem uma imagem de tanta ternura...nunca defini tão criteriosamente, o que é a perfeição e a beleza de um desejo puro. Nunca soube tão intensamente, o que era o Amor...o Amor que sinto em plenitude!

Procuro noutras palavras conhecer o lirismo que Orfeu dedicou a Hades para reaver, efemeramente, a presença de sua amada Eurídice... Como Orfeu espero ser retalhado e cantar de Amor para a eternidade...Cantar eternamente ao Amor, ainda que perca a integridade do meu próprio corpo.


Continuar o caminho da fidelidade ao Amor e às mil formas de o mostrar,de o viver e nutri-lo para que o sentimento seja sempre uma forma de redenção. Que seja o bálsamo que necessito para sarar as feridas passadas e vindouras


De Vinicius...o Soneto da Fidelidade.



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


Para terminar o comentário de hoje, recolho no disperso do imaginário as imagens que me continuam a tornar os dias belos...Torno-me pela força do Amor, um guerreiro e um ponto no horizonte...o dócil poeta da ternura que um dia trocou a displicência pela subida ao céu do querer. O AMOR - GUERRA E PAZ. Até um próximo encontro...


Sérgio Godinho - Guerra e Paz


Ainda agora aqui chegado
meu cavalo já cansado
trago o peito enamorado
e a armadura em desalinho
minha espada, eu embainho
dai-me carne e dai-me vinho
sou guerreiro por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Dai-me carne e dai-me vinho
dai-me uma mesa de pinho
estendei toalha de linho
onde estenderei meus dedos
lede neles os enredos
das conquistas, dos degredos
assim eu contar pudera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Guerreiros são só pontos no horizonte
a monte
a monte
anda o guerreiro sem parar
a paz foi tudo o que ele foi buscar
guerra e paz
a par e passo
irmãs são
guerra e paz
a par e passo
vão


De cada vez que me conto
sei que me acrescento um ponto
um cavalo novo monto
e uma donzela arrebato
despedido do recato
vou de calma ao desacato
vou do pardal à pantera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Vou da calma ao desacato
de masmorras me resgato
colorido é o meu retrato
preto e branco meu caixinho
o que fazes tu, meu filho
outras guitarras dedilho
sou trovador por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

E de meandro em meandro
vou-me circum-navegando
sob as estrelas buscando
o outro lado da busca
quase sempre o amor me ofusca
de uma forma doce e brusca
assim eu amar soubera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Retomado à vida o gosto
meu cavalo recomposto
no cabelo um fogo posto
novos fogos atravesso
desta forma me despeço
do fracasso e do sucesso
ladrões de quem os venera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Desta forma me despeço
a viagem recomeço
e se a casa não regresso
é que outras casas me abrigam
outros braços lá me amigam
minhas brigas desfatigam
como a luz na Primavera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz







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