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sexta-feira, junho 25, 2004

Ensaio sobre as essências ou a eterna sedução pelo hedonismo masoquista do Vazio

Escrevi, pela treva, sobre as imagens que se esvaiem na luz dos dias... Pelo corpo ansioso pela delicia do toque que lhe dá forma... Sinto-me um ser apagado da memória... Limpem-me do vosso corpo, memórias...Não existo mais....Dissolvo-me... A estranha lucidez...que extirpa a memória, que me rasura como uma palavra que se apaga num qualquer rascunho...
Sei que o sonho alcança o seu auge, quando o pesadelo me invade... Sei que o silêncio é uma estranha forma de morte consentida... Vivo em demasia, o meu próprio silêncio... Assisto plácido à minha morte...à minha própria e figurativa morte... Redimam-me, novas memórias, para que seja uma palavra, um sonho, um desejo, um corpo....Para que volte a ser esse limite absoluto da forma, do tempo e do espaço próprio.

Sobre a ansiedade e o silêncio por Tomaz d´Orta

20 de Junho de 2004


Mil corpos. Um só desejo. Uma só memória. Um só silêncio.
Prescruto sinais. Procuro olhares. Ansioso.
A noite assume, as faces do dia. A Lua em desencontro ao Sol, que emana a luz que irradia e dá forma à sua desencontrada e marmórea amante. A Lua converte a forma dos corpos dos amantes em esculturas. Paradas e demasiado carentes de vida. Faltam-lhes as gotas rubras de sangue e suor. O calor que as una. Que quebre o limite de seus corpos.
O desejo faz-se Poesia. Bela e trágica. Onde os amores que matam, nunca morrem.
Onde a treva se guia na luz própria. E façamos preçes a deuses, que friamente nos ignorem. Esperando sermos maiores, a cada trago amargo que bebemos da insensatez da vida. Um poeta da nossa praça, ecoa em meus ouvidos: Estou onde não devia estar.
A ternura, expressou a primeira e última forma de vazio. A busca eternamente adiada. O medo recorrente e repetido. Exponenciado ao limite de uma loucura chamada DESEJO. Chamada ausência dele. Chamada anseio de vazio. Chamada de NADA. Ou de TUDO?
Condenado a uma estranha maldição... À espuma dos dias.
Um solitário, um Poeta, um ser em refinamento de demência. À busca de respostas, sem um começo...sem um chão que pisar.

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