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domingo, setembro 19, 2004

Os pactos do silêncio ( A velocidade escaldante. )


Na placidez silenciosa das águas que espelham um ténue Sol de Inverno, resgate-se a memória disrupta, e brinde-se à vertigem de um beijo ausente e perene em sua ausência. Formatos da loucura. A passado em continuidade...Tic...Tac...Tic...Tac. Um relógio chamado Fim. Aproximação perigosa. Vertigem de vazio. Há imagens dolorosas que impelem os poetas à escrita. Há lamentos que nunca se espraiam num rosto cerrado. A solidão busca vitímas perfeitas... os seres que a procuram como travo amargo e destrutivo....muito embora ansiada e desejada.
Ao medo, uma promessa de amor... Deitar-me-ei com ele todas as noites...fechando com ele solilóquios onde a juramentada carência de desejo se faz companhia única. As conversas com um Deus insipido e castigador.... A ira divina...A impotência humana...Duas medidas de grandeza e miséria. Em tudo semelhantes....Idênticas. Uma ode ao Nada... A ninguém...Nem sequer eu mesmo...
A mulher passada, fitou-me sem calor... Torno-me insensível, nas palavras de um ente que me procura resgatar sem sucesso. Nas palavras de Rimbaud, "o meu cepticismo tornou-se demasiado perigoso, e agora a única ansiedade que sinto é por poder sentir minha loucura em plenitude. ". O meu silêncio é o silêncio ancestral. A minha vida é a vida ancestral. O meu vazio...sem forma, existe. Trabalho prolífico do ser que se prostra olhando um tecto...que continua a abater-se. O espaço reduzido....à memória que oprime. Nas cidades do Norte, as mulheres que comigo se deitavam, desconheciam os contornos das frases de Poeta. Desconheciam as frases de torpor do desespero. Com todas dormi, esperando redenção. Esperando que a efemeridade se encarregasse do restante caminho de encontro. Apenas soube conter as lágrimas que ansiei verter em momentos e sorrir às imagens interiores de desolação. Hoje nas cidades do Norte habitam, fantasmas de mulheres que possuem outros toques, outros corpos, anunciam a minha quase morte. Requiem pela quimera sépia de um poeta, demasiado estranho para um perdão... Os sentimentos são os sinos que tocam a rebate....Lá vai a mémoria de um corpo que se dissipou. In pace domine. Iriemus nostri

João Tomaz Rodrigues (ebn_al_zaqqaq@hotmail.com)

quarta-feira, setembro 01, 2004

Sobre os anjos silenciosos (e seus silêncios)


Dissipação...sobre os longo minutos em que na treva se procura a luz que traga consigo contornos. Que defina formas... A solidão é um estado demencial. O mesmo em que vivo.
A que estranho silêncio se pode entregar a alma... Nos desenhos deste estranho Inferno, não cabem os lirismos, demasiado plácidos e metafóricos para traduzirem sentimentos que qual glaciais frios me varrem a alma. Nos espaços, em que canto em surdina estranhas missas de Requiem pela minha memória. Um displicência atroz mergulhar neste olhar vazio...Agora sim, a esqualidez invade-me a cada momento. Agora que tenho uma alma que não sabia ter... Que nunca quis ter. Como me poderei devolver a poesia...aquela sonhadora companheira que em mim se emudeceu... A solidão é um estado demencial. Os dias marcam em mim, a cadência de um Fio de Ariane...tão susceptível de ser cortado. Nada sou em nenhum imaginário...nem mesmo no meu. Cansado de uma imagem que num espelho que distorce imagens, não logro reconhecer. Onde poderei iluminar os caminhos da noite que palmilho... A noite no dia, a noite na noite...Dia após dia... Silencioso Anjo que caí...que caí... Nem uma só lágrima ao erguer preçes a deuses que não me amparam... Sem desígnio, sem plano, apenas os gestos estudados e automáticos do disfarçe... Maldição de uma alma frágil...que se parte. A solidão é um estado demencial.
Julguei ter ambição súblime... possuir amor maior que eu... Viver neste sentido e sentimento, a plenitude. Agora que me escapa como neblina que se dissipa na manhã que o Sol anuncia... Nunca a noite fria se compadece de quem sofre assim... O sono não afasta o cansaço. A poesia torna-se essa estranha linguagem que só eu, em solilóquio, compreendo. E tudo o que vivo se torna tão dolorosamente real. A solidão é um estado demencial. FIM.


JEFF BUCKLEY SO REAL

Love, let me sleep tonight on you couch
And remember the smell of the fabric
Of your simple city dress
Oh... that was so real
We walked around til the moon got full like a plate
The wind blew an invocation and I fell asleep at the gate
And I never stepped on the cracks ’cause I thought I’d hurt my mother
And I couldn’t awake from the nightmare that sucked me in and pulled me under
Pulled me under
Oh... that was so real
I love you, but I’m afraid to love you
I love you, but I’m afraid to love you

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